Normas e variedades linguísticas

Olá, amigos, neste artigo quero falar um pouco mais sobre Linguagem e retomar o assunto já iniciado no artigo anterior. Clique aqui se quiser ler o outro. Bem, o propósito desa série de artigos é fazer uma revisão sobre conceitos básicos da Língua Portuguesa como forma de revisar os conteúdos que caem nos concursos públicos federais e também em outras esferas. É isso. Boa leitura.

Um pouco sobre variedades linguísticas

Como instrumento de comunicação, variados fatores regionais, culturais e socioeconômicos, além das múltiplas circunstâncias de interação social, com maior ou menor grau de formalidade, uma língua sofre constantes variações, que dão origem a diferentes modalidades da linguagem: regionais (com falares e dialetos), sociais (relativas a grupos sociais, faixas etárias, graus de escolaridade etc.), populares, circunstanciais (com variações da língua falada e da escrita, do estilo), históricas (com arcaísmos e neologismos), profissionais (com jargões e línguas técnicas), entre outras.

Assim, a cada sistema diversificado de emprego da língua, dá-se o nome de variante linguística, em função da diversidade de seus elementos (léxico, fonética, morfologia e sintaxe).

Essas variedades, porém, sujeitam-se ao uso coletivo dos signos, o que determina um “modelo de uso”, isto é, uma norma estabelecida coletivamente; a Gramática Normativa ou Prescritiva é quem institui as normas de emprego da língua consideradas como exemplares ou modelares.

A norma culta é, pois, o emprego considerado pela Gramática como norma linguística privilegiada em situações comunicativas formais.

Há também a norma-padrão, variante que indica os usos da língua recomendados pela Gramática Normativa.

Na tirinha de Maurício de Sousa, Chico Bento e a professora comunicam-se em língua portuguesa, mas com modalidades linguísticas distintas.

Enquanto Chico emprega uma variedade regional e popular, muito próxima da oralidade e caracterizada por alguns desvios das normas gramaticais, a professora utiliza a norma-padrão da língua.

Cumpre observar que a norma culta e a norma-padrão tendem a ser privilegiadas e impostas pelo grupo sociocultural dominante e de maior prestígio dentro de uma comunidade linguística, o que pode gerar uma expectativa de correção idiomática e determinar o aparecimento do preconceito linguístico diante de expressões que estejam em desacordo com as normas gramaticais.

Entretanto, todas as variedades linguísticas apresentam um sistema adequado aos propósitos comunicativos dos grupos sociais que as empregam.

Considerar que apenas a variedade padrão da língua é correta seria estabelecer um julgamento discriminatório das demais variantes.

Cabe, pois, ao usuário da língua avaliar a circunstância de comunicação e selecionar os recursos linguísticos mais adequados a ela.

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